OS VALORES COMO REGRAS DE EMPRESARIABILIDADE
Por Adilson Neves
Ultimamente, uma palavra tem tomado conta dos ambientes de negócios: a "empresariabilidade", que é um neologismo que surgiu pouco tempo depois de outra palavra nova, a "empregabilidade". Mas, posso garantir que não foi o ex-ministro do Trabalho, Rogério Magri, da malfadada era Sarney, quem as criou.
A "empresariabilidade" quer dizer que as atitudes empresariais podem alavancar o sucesso pessoal e profissional dos que participam das empresas, ou seja, o sucesso depende em 10% das habilidades, 20% dos conhecimentos e 70% das atitudes.
Esse tema tomou conta das mesas de negócios nos Estados Unidos, a partir do ano 2003, no emaranhado de terminologias e nomenclaturas utilizadas no mundo administrativo para uma variada e extensa gama de serviços: Gestão de Pessoas, HCM - Human Capital Management, Soluções de Headhunting, Outplacement, Counseling, Coaching, Mentoring e tantos outros nomes americanizados.
Então, o foco para a longevidade e o sucesso na gestão de negócios é o ser humano, acessado pelas organizações através da chamada Gestão de Relacionamentos, uma terminologia técnica diretamente ligada à área de Recursos Humanos - RH.
Se observarmos bem, o mercado oferece dezenas de modelos de serviços e ferramentas de gestão de capital humano, caracterizados por avanços consideráveis em relação ao passado, quando havia uma forma mecanicista e situacional para lidar com a questão, na medida em que os profissionais eram alocados e monitorados como peças de uma produção "just-in-time", componentes de uma "certificação" ou peça fundamental do processo de "melhoria contínua".
Com a competição exacerbada, a partir da globalização econômica, as denominadas regras de "empresariabilidade" estão sendo ampliadas e a necessidade atual é que as organizações busquem as melhores práticas para agregar valor ao negócio, através de aumento nos níveis de competência, tais como qualidade, produtividade, redução de custos, inovação, conhecimento, inteligência competitiva. No entanto, neste espectro há o ser humano como peça fundamental na geração de satisfação ao cliente que é o alvo primordial do sucesso.
Há um diferencial fundamental a ser buscado diuturnamente: os valores. Esses valores vão gerar a impressão digital das competências sociais e emocionais presentes nas empresas, através da gestão dos relacionamentos.
Recente pesquisa publicada no jornal O Globo revela que quando se busca descobrir os principais valores na visão de líderes empresariais, diretores e gerentes de grandes empresas, os resultados demonstram que os principais votos foram direcionados para a ética, a disciplina e a solidez. Portanto, entendemos que o desafio das empresas é levar os seus clientes internos (funcionários) a adoção desses valores como meio perceptível para se obter resultados sob o ângulo monetário, mas com forte aderência no conceito social dos comportamentos humanos.
Empresas são feitas por gente. Gente possui alma. Portanto, os valores absorvidos diariamente pelas pessoas na gestão é que serão repassados automaticamente para os clientes externos (fornecedores e consumidores) em todas as abordagens diretas e indiretas.
Aqui entram as estratégias de gestão para fazer com que as pessoas possam alinhar e aderir aos valores. Surge mais um emaranhado de nomenaclaturas que acabam por fazer parte do nosso vocabulário: retenção de talentos, balanced scorecard, gestão de clima organizacional, avaliação 360º, meritocracia, recrutamento interno, empregabilidade, gestão por competências, remuneração variável, endomarketing, visão de cliente.
Certamente que, quanto mais arraigados estiverem os valores nas pessoas, tanto maior será a longevidade da empresa, especialmente pela referência que estará sendo transmitido no conceito profissional dela na percepção feita pelo mercado, valendo destacar a ética, a honestidade, o comprometimento, a seriedade.
E para que isso aconteça, o gestor deve não apenas usar frases de efeito, tais como "estamos priorizando o ser humano na nossa missão", "os nossos funcionários são os nossos maiores clientes" ou "tratamos as pessoas da nossa empresa como nosso principal asset"; mas priorizar a gestão dos valores como vocação primária da sua organização e, com essa prática, conjugar na verdadeira acepção o neologismo "empresariabilidade".